quarta-feira, 8 de junho de 2011

Terminologia sobre deficiência na era da inclusão


Acredito que todos nos pegamos muitas vezes "perdidos" na hora de definir qual o termo correto deve ser utilizado ao falarmos sobre deficiência. Primeiro, porque sabemos que tudo relacionado a esse assunto ainda, infelizmente, é rodeado de muito preconceito. Trabalhei durante 10 anos em uma Instituição Filantrópica para Deficiente Visuais " O Lar das Moças Cegas" (lugar maravilhoso, de pessoas competentes que trabalham firme para garantir a Inclusão Social) num momento oportuno contarei a história dessa instituição aqui. Mas voltando ao assunto, pude perceber como o deficiente realmente se magoa quando se sente diminuído com expressões como: Vamos ajudar "o ceguinho" a atravessar a rua. Ou então: Ela é cega, mas mora sozinha. Nossa, ela é cega, mas tem dois filhos!
Como assim? Cego não pode ter filho? Não poder ter filhos pode até estar relacionado a um problema uterino ou algo semelhante, mas não vejo como o fato de uma mulher enxergar ou não, a impediria de engravidar.
Durante a pós graduação (Deficiência Visual) também discutíamos termos como: "Portador de deficiência" afinal de contas alguém pode portar uma carteira ou algo semelhante e deixar de portar, mas ela deixará de ser deficiente? Como os próprios familiares se sentem ofendidos ao verem seus filhos sofrendo com esse tipo de preconceito. Já existe tanto desrespeito quando paramos para pensar sobre os direitos das pessoas com deficiência e em como eles são desrespeitados, seja na acessibilidade ou no ambiente escolar, entre tantos outros, poderíamos melhorar e muito a forma como utilizamos para  nos referir aos próprios deficientes ou às situações que cercam esse assunto. Pois, voluntariamente ou involuntariamente não podemos permitir que num ambiente escolar ou não sejam ditas frases como:

"Apesar de deficiente, ele é um ótimo aluno e está matriculado numa escola normal, numa classe normal."

Que tal usarmos:

"Ele é deficiente e é um ótimo aluno. Está matriculado em uma escola comum, numa classe comum."
O fato de ser deficiente não o impede de ser um ótimo aluno ou vice-versa. E quando todas as escolas forem inclusivas não precisaremos adjetivá-las, bastará dizer: escola, sala de aula.

Para um maior esclarecimento segue o link de um artigo maravilhoso feito por: Romeu Kazumi Sassaki
http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/portal.php/terminologia

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