quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ALUNOS DESTAQUE EM LÍNGUA PORTUGUESA

Reservei esse espaço com muito carinho para prestigiar alguns alunos que se destacaram no bimestre. Isso não significa que tenham sido apenas estes. Espero aumentar esse espaço no próximo bimestre.



"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher."
Cora Coralina


Carlos Vinícius 9° D





Júlia 9 B


                                                     Matheus Cardoso 9° A

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Lei Laurinha _ Um pouco sobre Audiodescrição


Depoimento de Rosangela Gera durante a realização do seminário "Avaliação dos Primeiros 45 Dias da Audiodescrição na TV"

Boa Tarde a todos,
Eu fui pega de surpresa com o Projeto de Lei - a Lei Laurinha pelo livro acessivel - anunciado pela deputada Rosinha e espero que a Laura traga sorte para sua aprovação por que a luta pelo livro acessivel já vem sendo travada por muita gente antes de nós.
Apesar de não ter procuração para falar em nome dos pais e mães das crianças cegas do Brasil, tenho certeza de que aprovariam minha fala.
Compartilho com todos eles desde que a minha filha nasceu , a experiência de viver em uma sociedade que não pensa em todos os cidadãos . A escola que matricula por força da lei, ainda não compreendeu que a educação inclusiva é muito mais do que isso significa garantir aprendizagem e que o aluno cego tem o mesmo direito de aprender que o colega que está sentado ao seu lado , isso é compromisso da escola , sua responsabilidade.
Compartilho com esses pais, a experiencia de ir a uma livraria ou biblioteca e me deparar com a fartura de titulos infantis, todos inacessiveis a demanda de leitura de uma criança cega , e é assim com os sites infantis que produzem jogos que trazem apenas informações visuais , com os brinquedos de tabuleiro que não trazem nenhuma marcação tátil que possa sinalizar e viabilizar sua utilização , com as revistas em quadrinhos e também com os desenhos animados, com os filmes infantis que passam na TV ou no cinema.
Por que será que as pessoas acham que criança cega não gosta de assistir filmes ou ler revistas em quadrinhos?
Não foram poucos os e-mails que enviei a autores como a Ruth Rocha, a Ana Maria Machado e o Ziraldo , perguntando, por que não cobram das editoras que coloquem um encarte digital da obra para que as crianças cegas possam ler o livro através do computador ou para que possam imprimir em braile de maneira mais rápida os livros que produzem ? Alguns me responderam, disseram sim que pensam nas crianças cegas, mas que tem o ônus ... o ônus da editora.
Também enviei e-mail a produção de revista em quadrinho da turma da Mônica, me responderam novamente sobre o ônus, são mais de 30.000 pontos de distribuição de venda da revista , só dá para pensar em um projeto de acessibilidade para crianças cegas se houvesse uma parceria . Então, falei, não precisa imprimir em braile, disponibiliza no site a revista com audiodescrição , põe um sêlo de acessibilidade, indicando que naquele lugar do site as revistas podem ser lidas por crianças cegas, mas não obtive resposta.
E também continuei enviando e-mails, revista uol para crianças, recreio, ciencia hoje , todos com jogos infantis que criança cega não pode brincar , e até o site plenarinho da Câmara dos deputados não tem jogo acessivel, com eles fiz inclusive contato por telefone , mas nenhum jogo foi desenvolvido pensando nas crianças cegas.
Então, é nesse universo infantil de exclusão que nós pais , tentamos educar nossos filhos cegos, e dizer a eles que são crianças como outras quaisquer , que tem os mesmos direitos , para que cresçam fortes, com uma boa auto estima, e tudo o mais que querem os demais pais de crianças sem deficiencia, mas é dificil responder quando ele ou ela pergunta : Porque não tem livro em braile aqui pra gente comprar? Ou então quando diz , eu não quero ir ao cinema só com a minha amiga e a mãe dela porque não vão me explicar tudo que está acontecendo no filme, e a gente não gosta do que não pode entender ! Filme não é coisa pra cego.
E Então , eu continuei mandando e-mails falando sobre audiodescrição ... e por isso , provavelmente , estou aqui hoje . E se há algo a falar sobre a importância da audiodescrição para crianças cegas , eu pergunto : Qual a importancia dos filmes, do cinema, do teatro, das apresentações na escola para qualquer criança ? Sabemos a resposta , tudo isso representa lazer, cultura , educação e oportunidade de convívio social, coisas que igualmente são importantes para a criança cega e que só estará disponivel a estas através da audiodescrição.
A criança cega precisa caber nesse Todos de quem produz entretenimento, lazer, cultura e educação . É seu direito.
Mas, não podemos esquecer do ônus. A audiodescrição tem um ônus, por isso foi tão difícil conquistá-la 2horas / semana na TV aberta brasileira.
E agora que falamos do ônus da escola, das editoras, dos produtores de revistas em quadrinho, de sites infantis, e de quem é obrigado por lei a oferecer audiodescrição na TV, eu em nome de todos os pais de crianças cegas , gostaria de saber: E sobre o ônus de ser excluído da aprendizagem em uma escola porque essa ainda não capacitou seus professores como deveria ? E o ônus de quem não pode se divertir como seus amigos lendo deliciosamente uma revista em quadrinho ou jogando no computador ? E o ônus de quem fica aflito ao seu lado durante um filme perguntando : Quem é a Fiona? Quem está falando agora? Que barulho é esse? O que aconteceu com o burrinho ? E o ônus de achar desde criança que cinema, teatro, espetáculos, não é coisa para cego?
Gostaria muito de acreditar que vamos continuar sendo rigorosos em exigir o cumprimento do direito À audiodescrição , o ônus de uma pessoa com deficiencia em uma sociedade realmente inclusiva , deveria ser apenas o biológico.
O problema da minha filha, das demais crianças e pessoas adultas cegas, não é o seu modo de leitura, se utiliza o código braile, ou um programa de computador, o problema delas é encontrar esses livros.
O problema da minha filha não é ter que assistir a um filme com audiodescrição, é a falta da mesma , essa sim que lhe tira o filme.
Bom , espero que possamos realmente refletir sobre o ônus alegado por aquelas pessoas que deveriam fornecer os recursos acessíveis em contrapartida ao ônus dos usuários dessa acessibilidade, por que precisamos realmente pensar em que mundo queremos que essas crianças cresçam.
Obrigada
Rosangela C. Gera - médica, mãe de Laurinha (11anos)


Fonte: 
http://blogdaaudiodescricao.blogspot.com/2011/08/o-onus-da-audiodescricao-depoimento-de.html#more

Para dar continuidade:
Audiodescrição na TV um avanço na acessibilidade

" Uma matéria muito interessante, publicada no Informativo Visão LMC" Confiram:
Fonte:
http://www.lmc.org.br/INFORMATIVO%20VISAO.pdf


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Entrevista sobre Inclusão com a Prof. Dra. MARILDA GARCIA BRUNO ao Lar das Moças Cegas - Santos




Prof. Dra. MARILDA GARCIA BRUNO

Marilda Bruno é Docente do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação e Licenciaturas da Universidade Federal da Grande Dourados, UFGD. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Inclusiva da GEPEI. Doutora em Educação pela Universidade Estadual de São Paulo e Especialista em Educação Especial pela Universidade de São Paulo. Desenvolve projetos de pesquisas e extensão nas áreas de Educação Especial e Inclusiva.


LMC: O que é inclusão escolar?
Marilda Bruno - Inclusão é um processo de transformação cultural, social e política. No campo das políticas públicas, deve ser entendida como política de Estado e não de governo. Isto quer dizer que, para a elaboração e implementação das diretrizes nacionais de inclusão escolar, mudanças estruturais ou novas propostas para o Atendimento Educacional Especializado, estas devem ser pensadas e estabelecidas dentro dos princípios democráticos com a ampla participação da comunidade escolar, das pessoas com deficiência, dos pais e da sociedade civil visando garantir a inclusão com qualidade de todas as pessoas.
No âmbito sócio-cultural o grande desafio é romper com os princípios da universalidade dos direitos humanos e da cultura escolar homogênea que negam e anulam as diferenças, a pluralidade de idéias, formas de ser, aprender e fazer diferente. No mundo contemporâneo, há necessidade de rupturas, de posições assimétricas, de conviver com discordâncias, tensões e buscar o diálogo para lidar com os conflitos. Este, no meu entender, deve ser o perfil das escolas e pessoas que buscam se tornar inclusivas.

De que necessitam as crianças com deficiência visual no ambiente escolar?
M.B. - No meu entender necessitam de acesso ao currículo, à informação e à cultura. O Ministério da Educação têm investido como nunca na área da Deficiência Visual, criou milhares de salas de Recursos Multifuncionais as quais funcionam paralelas às salas de aula e para todas as deficiências. Minhas pesquisas e de outros colegas indicam que a tecnologia é uma ferramenta indispensável para o acesso à informação e ao currículo, mas esses recursos ainda não estão disponíveis na sala de aula, logo, não resolvem o problema do aluno no dia a dia escolar. Os alunos continuam sem o livro didático em Braille, sem os recursos ópticos especiais, sem a máquina Braille, desde a educação infantil até no ensino superior. Muitos continuam espectadores passivos em sala de aula.

Os professores estão preparados para atender as crianças com deficiências?

M.B. - O Ministério da Educação investiu muito na sensibilização de gestores e coordenadores pedagógicos para a transformação da escola em espaço inclusivo, visto que a escola, hoje, dificilmente rejeita a matricula de uma criança com deficiência visual. Há uma consciência maior sobre o direito inalienável de inclusão na escola do bairro em que a criança vive. Por outro lado, a formação continuada dos professores no contexto escolar e a discussão sobre as necessidades específicas e as práticas pedagógicas para o atendimento às necessidades educacionais especiais deixam a desejar.


Qual a preocupação do Governo quanto à formação de professores em relação à educação inclusiva?
M.B. - A Secretaria Nacional de Educação Especial (hoje extinta sem qualquer discussão ou comunicação à comunidade científica ou aos setores interessados) realizou convênio com uma universidade para a formação à distância de professores generalistas para a atuação no Atendimento Educacional Especializado nas Salas de Recursos Multifuncionais, estas se constituem a grande meta da política nacional.  Essa formação carece de prática e de aprofundamento teórico para o atendimento da baixa visão, avaliação do processo de desenvolvimento e aprendizagem, atendimento às necessidades específicas, decorrentes da condição da deficiência visual, por meio de Programas de Intervenção precoce, Orientação e Mobilidade e Atividades de Vida Autônoma. Esse é o papel da Educação Especial, além da articulação e trabalho conjunto com a escola e a família. Nesses aspectos a atual formação deixa a desejar.


O profissional sai da universidade preparado para atender as crianças com deficiência, especificamente a visual?
M.B. - Depende, há universidades públicas, a minha por exemplo, onde temos 72 horas de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva e mais 72 horas de LIBRAS. Esses cursos não capacitam para o AEE, são disciplinas que trabalham com a cultura escolar, posturas, atitudes, formas positivas de interação e comunicação, marcos normativos e práticas pedagógicas heterogêneas. Os futuros professores tomam ciência das necessidades específicas e educacionais especiais decorrentes da deficiência visual e dos recursos e alternativas didático-metodológicas que atendam essas necessidades. Aprendem sobre o papel da Educação Especial e o que faz o AEE, são estimulados a trabalharem em conjunto com os professores especializados na busca de melhores estratégias de ensino. O que se recente hoje, é a falta de formação consistente de professores para atuação na Educação Especial. 


Quando se fala em transformação da escola, do ensino, isso não implicaria em mudanças na política educacional?
M.B. - Sem dúvida, o que mais nos preocupa para essa transformação é a formação de professores da educação especial comprometidos não apenas com o atendimento das necessidades individuais das crianças  com deficiência visual, mas com o engajamento nos projetos coletivos da escola, profissionais capazes de colaborar com a prática pedagógica, participar da elaboração do Projeto Político Pedagógico, do Plano de Desenvolvimento Educacional, do Plano de Inclusão, documentos que contemplam as necessidades específicas e educacionais especiais dos alunos com deficiência visual.


A senhora é a favor da educação especial?
M.B. - Sim, sempre militei como mãe de pessoa com deficiência visual e múltipla. Sem o conhecimento e o atendimento da educação especial, meu filho não chegaria à Universidade. No entanto, pelas experiências vividas e estudos que desenvolvo, não defendo escola especial para alunos com deficiência visual. Lutei pela integração e luto pela inclusão, mas não pela desconstrução da educação especial — um campo de conhecimento científico que tem muito a contribuir para a promoção da aprendizagem e  inclusão de pessoas com deficiência visual.


Cite o maior obstáculo ou resistência para se efetivar a educação inclusiva?
M.B. - Os meus anos na Educação Especial permitem-me observar que os obstáculos são praticamente os mesmo nos diferentes momentos do processo histórico. Romper com as tradições, com as crenças e com a mesmice do dia a dia é sempre muito difícil. A resistência vem sempre do medo do novo, do incerto, das mudanças no fazer pedagógico. Isto ocorreu no momento da integração e não é diferente diante das propostas de inclusão e na hora de redimensionar o papel da Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva.


Quais as dificuldades ao tentar incluir crianças com deficiência visual em creches e pré-escolas?
M.B. - Este tem sido meu campo de pesquisa. O Censo INEP-MEC nos mostra que são poucas as crianças com deficiência visual e múltipla que chegam às creches e pré-escolas. Os grandes centros do país, no eixo sul-sudeste, têm programas de intervenção precoce e atendimento educacional especializado na etapa da educação infantil. São poucos. As ações da política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva ainda não priorizaram essa etapa de ensino: não há Atendimento Educacional Especializado adequado para essa faixa etária como também são raros os acompanhamentos da Educação Especial nos Centros de Educação Infantil.

A inclusão do aluno com deficiência visual na sala do ensino regular cumpre o seu papel inclusivo?
M.B. - Felizmente as pesquisas na área da deficiência visual vêm aumentando significativamente. Nos últimos anos tenho tido a grata satisfação de participar de várias bancas de estudos que analisam o processo de inclusão desde a educação infantil ao ensino superior. Os dados revelam que, quanto as posturas, atitudes e superação do preconceito, houve mudança. No entanto, em relação à prática pedagógica, há um descompasso muito grande entre a política proposta e a prática.

Qual o papel da família no processo inclusivo escolar?
M.B. - A relação-escola família é o eixo central na proposta da educação inclusiva, não só a família, mas jovens e adultos com deficiência tem o papel fundamental na formação de redes de apoio. Participam do suporte e apoio à escola, aos professores, aos demais alunos com deficiência e pais. Não podemos nos esquecer que os fundamentos da prática pedagógica para inclusão enfatizam a discussão e tomadas de decisões coletivas, ações dinâmicas e flexíveis, com modificações constantes para atender a singularidade dos alunos e a realidade de cada contexto cultural e educacional.

Deixe uma mensagem àqueles que atuam na área da educação, para que a educação inclusiva se concretize.

M.B. - Muito estudo e vontade de participar! A escola é um espaço público privilegiado para a convivência com a diferença, onde são ensinadas as regras para o convívio democrático, o respeito às opiniões divergentes e, principalmente, espaço de ensinar e aprender. Acredito que através da troca de conhecimentos entre a educação especial e o ensino regular; a reflexão contínua dos professores sobre as práticas pedagógicas, os desafios, sobre as necessárias adequações e modificações no contexto escolar, além do envolvimento dos alunos com deficiência e suas famílias, essas podem ser algumas estratégias que podem sinalizar caminhos para inclusão educacional e social.

http://www.lmc.org.br/entrevista_marilda_2011.htmlFonte: 

Estou de volta!

Olá!

primeiramente, gostaria de me desculpar pela ausência... Período de férias, retorno às aulas com um milhão de atividades, mas prometo que serei mais presente.

Este texto me fez refletir bastante, quem quiser compartilhar alguma reflexão sobre ele: Sintam-se em casa!


Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Rubem Alves

Que escolas promovemos?